sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Memories 04




  No Dia em que Eu Sai de Casa, Minha Mãe me Disse: Filho, Vem Cá!


As coisas não poderiam estar mais agitadas na rota 7 de Kalos. O último dia do ano trouxe uma fila interminável de treinadores e telefonemas para retirada da grande maioria dos 187 pokémons que estavam recebendo tratamento especial no Day Care mais famoso da região, o qual havia sido passado por oito gerações em minha família. Além disso, tínhamos que nos preocupar com a organização da festa do bairro que aconteceria a meia-noite em nossa casa para celebrar a chegada do ano novo.

Depois de perdemos a paciência com uma reclamação sobre um ataque aprendido indevidamente por um Fletchinder, papai e eu conseguimos voltar para casa a tempo. Tudo já estava quase pronto lá, só faltavam pequenos detalhes na decoração e escolher as músicas que tocariam na boate – na qual concordei em bancar o DJ. O jardim, de grama bem aparada, iluminado pelos pisca-pisca e algumas luminárias de chão, estava decorado com algumas mesas cobertas por toalhas brancas de um tecido refinado e outras pelo bufê. Simplismente divino.



As 22:00 já estávamos todos tipicamente trajados de branco, depois é claro de ter feito as clichê simpatias. Logo a vizinhança começou a chegar à festa, sendo respectivamente recepcionados por minhas primas que vieram especialmente para ocasião direto de Sinnoh. Os convidados se acomodavam em uma das várias mesas que estavam espalhadas em nosso jardim e não demoravam muito até colocar o papo em dia e tirar a barriga da miséria com os quitutes servidos.

Não percebi a velocidade em que o tempo passou enquanto fazia a checagem do meu equipamento, apenas fui surpreendido por vários estouros de fogos de artifício e champagnes, denunciando a virada do ano. Apressei-me e coloquei logo os hits de Madonna e Britney Spears para tocar, alternando também entre Zedd e Calvin Harris. Todos, inclusive os idosos, se acabaram de dançar e beber na pista de dança. Vimos todo tipo de cena cômica: escorregões, danças malucas, cantadas não correspondidas... Tudo parecia caminhar bem.

Foi durante “Same Love” que Fred, capitão do time de vôlei, me chamou no canto e eu o levei para o quarto. Fizemos amor à noite toda, há tempos tínhamos um caso secreto. Ninguém jamais havia desconfiado e essa era a melhor parte; não éramos julgados pela sociedade.

Depois, todo o sonho virou pior pesadelo de todos. Não sei como ele conseguiu entrar, mas de manhã cedo lá estava ele, meu pai, estagnado fitando-nos, agarrados nus. Ele mandou Fred cobrir suas vergonhas e sumir imediatamente. Em seguida, me açoitou com um chicote como um mau-feitor bate em um escravo. Não chorei, não estava fazendo nada de errado, e esse pensamento me ajudou a omitir dor que estava sentindo, mesmo assistindo o sangue escorrer lentamente pelo meu corpo.

Quando finalmente acabou, peguei uma trouxa de roupas, minhas economias e meus dois amigos pokemons e parti, para sempre. Nunca mais voltaria a Kalos, nunca mais olharia para eles outra vez. Agora estava livre para ser eu mesmo.

-Filho, vem cá! – gritou minha mãe quando eu já fechava o portão de casa, me enchi de esperança e fui correndo para seus braços. Levei uma bofetada. – Você manchou o nome da nossa família, agora estamos sujeitos a todo tipo de comentário. Demos-te tudo e olha como você retribuiu. SAIA DAQUI IMEDIATAMENTE, você não é mias meu filho.

Peguei o primeiro vôo para Kanto. Eu era sozinho a parti daquele momento, um lixo para o resto do mundo.




RICK

2 comentários:

  1. Uou, que bacana Gah! Então quer dizer que Rick é homossexual? Agora não sei se shippo RedxLeaf ou RedxRick *-* É muito legal você mostrar coisas do passado dos personagens através do ponte de vista deles, os faz ficar mais próximos de nós.
    É muito triste o preconceito que está instalado da sociedade com relação aos bi/homossexuais. O que aconteceu com Rick é apenas mais um exemplo do que centenas de jovens passam por todo dia. No futuro, espero que os pais o aceitem com é, mesmo sabendo que isso é difícil de acontecer.
    Abraços mano!

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    1. Olá parceira, como vai? Haha se eu te disser que eu também estou com duvidas sobre quem shippar você acredita? Espero que aconteça naturalmente isso, pois caso eu pare muito tempo pra pensar sobre é capaz de eu ficar biruta.

      Eu estou adorando escrever isso <3 Como estamos na primeira temporada estou focado em deixar o leitor conhecer os personagens e se familiarizar com eles. E que melhor forma de fazer isso do que fazer eles contarem para vocês com uma leitura leve?

      Sim, é banal a forma em como a homossexualidade ainda é tratada, o que faz com que muitos jovens se repreendam inibidos pela possibilidade de cenas como essas ocorram com eles. Acho impossível que um dia consigamos viver em um sociedade igual, porém cada vez mais o pessoal ta acordando e percebendo que somos todos iguais independente de qualquer coisa.

      Obrigado pelo comentário, você é sempre bem vinda aqui nessas terras :)

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