quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Memories 02





 Operação Floresta!





Minha paciência havia esgotado. Não porque não gosto daqui, muito pelo contrário sou demasiada agradecida ao Professor Oak por me abrigar aqui, em seu renomado laboratório de pesquisa. Mas estou farta dessa vida rotineira e monótona.

Geralmente, eu passo todo o meu dia em um grande jardim florido, repleto dos mais diversos tipos de plantas e ervas que são desconhecidas até mesmo para mim, um pokemon vegetal. Reservo também algumas horas para tomar um delicioso e energético banho de sol, e quando estou preste a perder meu controle mental, vou melhorar o nível de meus golpes.

Estou hospedada aqui há mais de um ano e meio, e até hoje nenhum treinador misericordioso me escolheu para ser sua companheira. Eles sempre preferem os habilidosos Charmanders ou os Squirtles fofinhos. Já ouvi conversas entre o Professor Oak e seu neto, Blue Oak, de que talvez irão me aposentar.Eu ainda sou uma moçinha, não tenho idade para aposentadoria. Sou uma guerreira, nasci para lutar.

Em um pequeno vale, onde eu vivia próximo a Celadon, ação e aventura eram a todo o momento. Adrenalina sempre a mil. No dia em que o Emanoel me resgatou, por exemplo, foi dia mais kawai, em minha opinião, mesmo que doloroso. Alguém havia roubado meu reinado.

Era um dia como qualquer outro. O sol brilhando, a brisa soprava sobre a vegetação, os Pidgeys iniciavam seu trabalho de dispersar sementes, Beedrils faziam à polimerização das flores e os Digglets plantavam novas mudas de plantas. A natureza em perfeita ordem.

Porém estávamos com um problemas, as empresas de moveis. Algumas delas acabaram por instalar-se aqui, e o desmatamento de nossas preciosas árvores, moradia de vários pokemons, cresceu de uma forma gritante. Em três meses 25% de nossa flora já não existia mais.

Marquei uma reunião com todos os conselheiros. ”Todos aceitaram, sem nenhuma exceção”, avisou-me minha assistente e melhor amiga Dália, uma Oddish. Ela alertou-me de que eles haviam optado por realizar a mesma às 15 horas. Olhei no relógio que repousa pendurado na parede, onde os ponteiros marcavam 13 horas.

Dispensei-a. Segui sem pausas para um riacho próximo a minha toca. Ele tinha águas cristalinas e correntes, que abrigavam os mais puros seres aquáticos. Despi-me. E banhei-me naquelas águas. Quando terminei, me senti tão nova quanto um broto de flor.

Vesti-me depressa e parti para o local marcado para a reunião. Era um pequeno jardim, no coração do vale, onde a grama cobria como um tapete o solo fértil e macio. Quando cheguei, todos os convidados estavam posicionados em forma de “U”.

- Senhorita Jade Middlemist, seja bem-vinda a nossa reunião!Tivemos a ousadia de iniciá-la sem a vossa presença. Algum problema?- saudou-me um dos conselheiros, um Paras.

-Não. Foi até melhor assim. Desculpem-me pelo atraso - todos permaneceram em silêncio, o que me deu um frio na barriga. Eu era a Presidenta, deveria servir de exemplo. – O que ficou decidido até o momento?

- A situação está grave, minha senhora. Já contabilizamos mais de vinte e duas mortes, além de que metade de nossa população está desabrigada. - vomitou informações, Dália - Segundo meus cálculos, em menos de dois meses esta região estará completamente dizimada.

- Devemos parti para o combate direto!É a única solução!- exclamou George, um Pinsir, que já declarou abertamente rivalidade comigo pelo trono.

-Não, isso é uma atitude muito precipitada!-rebati. Ele tinha essa estranha sede por sangue.

-Então vamos ficar aqui parados, dependendo de ONGs inúteis, enquanto morremos.

Os murmúrios espalharam-se pelo espaço. Ele havia conseguido de novo.Eu o odiava.

- Tudo bem. Já que você teve essa idéia brilhante, Tenente George, execute-a. - retirei-me, revoltada.

Dois de depois, eles enviaram-me um relatório como todos os detalhes do esquema. Parecia tudo perfeito. Até demais. Uma parte dos soldados iria criar uma névoa com movimento secreto chamado de Sleep Powder, um poderoso sonífero, assim que os humanos caíssem em um sono profundo iríamos destruir todas as suas maquinas.

A Operação Floresta (criativo, não?!) estava marcada para ser realizada na mesma noite. Batalhões aguardavam-me organizados em fileiras uniformes, todos armados com armas carregadas de um conteúdo gasoso. A lua estava quase apagada.

-Estamos ao aguardo de suas ordens?

-Como não posso impedir esse ato irresponsável e precipitado, peço que prossigam logo. Vamos acabar com isso de uma vez!- falou em tom elevado, para que todos pudessem ouvir. - Eu também vou para luta.

Ninguém se quer cogitou em questionar. Quando ela decidia algo, estava decidido.

Chegaram ao local a meia-noite. A primeira parte do plano foi descartada imediatamente, todos estavam dormindo naquele momento. Seus roncos poderiam até mesmo abalar montanhas. Partimos para a parte dois. As grandes maquinas jaziam em local mais afastados, carregados das madeiras de nossas preciosas árvores

Foi um caos. Durante os primeiros minutos tudo estava sob controle. Fomos nos movendo cuidadosamente, quase imperceptíveis.Eu estava de longe, apenas observando.Quando o primeiro trator(é assim que eles chamam?) foi destruído, as chamas se alastraram.O barulho ensurdecedor da explosão me deixou tonta por alguns momentos.Quando cai em mim, a batalha já estava sendo travada.

Os humanos haviam despertado e numa velocidade incrível se equiparam com objetos fatais. Machados, Serras Elétrica, Pás, Foices, Enxadas... Eu fiquei atônita. Os pokemons ainda conseguiram tempo de destruir mais cinco caminhões, quando os destruidores da natureza os alcançaram.

Litros de sangue jorraram assim como água jorra de um chafariz. Visualizei vários pokemons com falta de alguns membros, outros envenenavam os humanos, que caiam sem vida.

Entrei no campo de batalha, ciente de que não sairia viva. Um homem corpulento e barbudo avançou em cima de mim com um machado afiado, mas consegui derruba-lo com os meus chicotes de vinha. Zarpei direto para o campo onde os feridos estavam sendo atendidos por alguns dos nossos melhores curandeiros. Prefiro poupar detalhes do estado deles. Sai dali, pois estava com uma vontade irresistível de vomitar.

O nosso lado estava na pior, mesmo tendo assassinado metade da população adversária. Tomei a liderança, afinal essa era minha função. Comecei ajudando alguns companheiros que estavam com dificuldades, numa combinação de Tackles e Vine Whips,todavia, isso não alterava nossa situação.

Quase fui decepada quando uma mulher lançou uma foice em minha direção, errando por alguns milímetros, quando o chifre de um Pinsir atravessou seu coração. Enquanto isso um grupo de Glooms haviam se reunidos e lançado um nuvem de PoisonPowder que derrubou uma multidão dos dois lados.

Fui lenta ao não perceber isto antes. A nuvem me cobriu, normalmente não me afetaria, mas naquela quantidade massiva seria fatal até mesmo para mim, um tipo Poison.Cessei minha respiração e corri o máximo que pude.

                                                           ***

Quando acordei, me deparei com um rosto velho e barbudo. Poderia ser sim um dos homens com qual lutamos naquela noite, mas aquele olhar me capturou. E doces palavras se formaram daquela boca enverrugada.


-Está tudo bem!





                                  JADE

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