quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Memories 01



 Eu consigo entender o que um Torchic diz.


                                                              


Você já viajou de férias?Aposto que sim. Eu apenas uma única vez, para Hoenn. Você deve achar isso super anormal, mas para minha família é normal. Meu pai está a todo o momento trabalhando, em certas ocasiões passa três meses fora à trabalho, minha mãe é uma pessoa negativa, ela pensa que ao primeiro passo fora de casa um estranho irá nos raptar, e meu irmão ele... Ele não se importa com nada além de si próprio.

Eu nem sei direito de onde partiu da ideia desta viagem, só que apenas um dia minha mãe acordou com vontade de ir visitar a vovó Lilian. Ela é a criatura mais doce da face da terra, nós nos vemos com pouca frequência, mas sempre que acontece ela me presenteia e conta diversas histórias fantásticas de civilizações antigas.
Enfim, partimos numa sexta à noite, na companhia do meu avô, Blaine, à bordou de cruzeiro luxuoso. Vocês devem está se perguntando por que meu avô não mora com a vovó, simples, meu avô é Líder de Ginásio e passa seis meses em Cinnabar e o resto do ano em Hoenn- indo visitá-la regularmente.

O cruzeiro era dez vezes maior que minha casa. Literalmente um paraíso. O numero de cabines excedia quinhentos, sendo todas uniformes. Possuía uma cama utopicamente confortável, um banheiro que parecia ter sido fabricado no reino da porcelana, um guarda-roupa embutido na parede amarela, a qual era decorada com várias replicas de pinturas famosas.
Na proa era possível brincar com criaturas aquáticas que lançavam jatos d’água em nossos rostos, tomar um banho de sol nas espreguiçadeiras e se divertir numa piscina gigante. Eu me interessei pela biblioteca, que abrigava uma grande diversidade de livros, e pela sala de jogos, a qual me induziu a gastar todas as minhas economias. Tudo o que uma criança de cinco anos iria querer.

Nossa estadia no cruzeiro durou uma semana. Ancoramos na praia de Slateport, onde Lilian nos aguardava. Ela estava um pouco mais velha do que o nosso ultimo encontro (avá). Seus cabelos grisalhos batiam em seus ombros, sua face era enrugada e seus óculos ocultavam o brilho de seus olhos. Vestia uma tanga florida, um maiô e um chapéu rosado. Provavelmente estava curtindo a praia.

Foi meio estranho voltar a terra firme depois de tanto tempo em auto-mar, mas logo me acostumei novamente. Famélicos, fomos almoçar em uma barraca ao norte do local. Serviram peixe frito, arroz, e muqueca de camarão. Não combinava, mas estava delicioso.
Após a refeição, eu e Jorge partimos em direção a praia, sob supervisão dos adultos. Construi alguns castelos de areia, que eventualmente eram destruídos pelas ondas da maré, e brinquei com alguns Clampearls. Jorge por ser mais velho pode entrar na água, algo que não me incomodava já que odeio água.

Fitei os adultos. Eles estavam reunidos em torno de uma mesa plástica dialogando, com exceção do meu pai, que estava vidrado em seu laptop. Mesmo que ele fosse alguém muito ausente em minha vida, ele era o meu ídolo. Quando ele resolvia da uma pausa em seus afazeres ele realizava todos os meus desejos, e ainda era uma das poucas pessoas que realmente me compreendia em todo o universo. Não sei o que seria de minha vida sem ele.

Hoje era um dia bem especial para meu irmão. Era seu décimo aniversário. Todos sabem o quanto é importante alcançar os dez anos, é a idade mínima para poder se aventurar pelo mundo. Lembrei que ainda não havia lhe dado os parabéns, mas por um motivo especial: meus pais haviam preparado uma surpresa para o Jorge. Seu primeiro pokemon.Eu iria aproveitar este momento para parabeniza-lo.

Todos naquela mesa estão cientes de que meu irmão é um garoto desleixado e preguiçoso, ou seja, ele não moveria um músculo para criar um Pokémon e muito menos para sair em uma aventura. Mesmo assim optaram por este presente.

-Garotos, temos uma surpresa. -informou mamãe. Seus cabelos dançavam com o vento.

Apenas senti um vulto passar a meu lado, veloz. Era Jorge, completamente molhado, jogando areia com os pés, propositalmente, em cima de mim. Quando me levantei, percebi que minha sunga parecia um pouco mais pesada. Ela estava entupida de areia. Fui até a beira do mar e lavei-me, tentando tirar a terra do meu traseiro.

Cheguei a mesa. Jorge emanava um brilho intenso de seus olhos. Em sua mão repousava uma esfera bicolor, eu conhecia bem o que era,uma pokebola. Ele acionou o botão centro e o objeto expandiu-se instantaneamente, em seguida ele lançou para o alto, eufórico. No ar, ela se abriu, liberando um feixe de luz que tomou forma de um pintinho.

Ele era... Como poderíamos dizer... Fofinho!Seu corpo era absolutamente cor de abóbora, sua cabeça se assemelhava a uma laranja com olhos e um bico - que era um tanto arredondado-. No topo da cabeça usava topete amareladas, assim como suas insignificantes asas.

-Torchic, o pokémon pintinho.Possui uma chama ardente em seu interior, o que lhe dar um sensação agradável ao abraçá-lo.Odeia a escuridão, pois sua personalidade curiosa o obriga a  sempre está atento à seus arredores.- disse a pokedex humana, papai, sem tirar as vistas da tela.

-Posso pegar?-perguntei.

-Não- respondeu meu irmão, ríspido.

-Red eu tenho um presente para você- ele aproximou-se de mim com uma medalha em mãos. Era feita de metal puro com a figura de dragão cravada em ambos os lados. Ele pôs o objeto em volta do meu pescoço. Senti uma sensação estranha, como se minhas veias ardessem em chamas, mas preferi não comentar nada a respeito.

-Obrigado. - agradeci, encarecidamente.

-Solte-me!-bradou alguém, a qual a voz eu não reconheci.

A voz era emitida a minha direita onde Jorge abraçava brutalmente seu novo Pokémon. Não, não, eu deveria estar louco. Era impossível que o Torchic houvesse falado.

-Você está todo molhado. Ponha-me no chão seu bruta montes - eu fiquei perplexo.A voz realmente vinha do Torchic.E a minha hipótese se confirmou quando ele começou a bicar o pescoço de Jorge,obrigando-o a solta-lhe.

-Vocês ouviram o Torchic falar?- todos riram. Acharam que eu tinha muita imaginação, ou que eu estava ficando louco. Apenas meu avô permaneceu em silêncio, esboçando um sorriso tímido.

Eu sempre soube que debaixo daqueles óculos muitos segredos escondiam-se.

(Lembram que iria desejar parabéns ao Jorge? Pois é, não fiz. Ainda estava ofendido com a maneira rude a qual ele me respondeu)




                                               

                                                                           RED



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