domingo, 17 de março de 2013

Capitulo 02



Uma Decisão



O tom azul-marinho do interminável céu denunciava o inicio de mais uma noite em Cinnabar Island.A majestosa Lua agora regia o posto antes ocupado pelo Sol, adornada das cintilantes estrelas.O mar estava agitado, assim nenhum marinheiro ousaria a sair em alto-mar naquelas condições.Já as festas de ruas que outrora se apossaram da ilha, agora limitavam-se a prosseguisse em casas de show.

Os irmãos, Red e Jorge, já haviam regressado para o lar antes que Paula Newhouse- a mãe dos dois- voltasse e naufragasse a ilha pela a ausência de ambos. Imediatamente após chegar em casa, Red tratou de fazer os devidos curativos para camuflar os ferimentos que adquirira na briga com seu inimigo de infância, John Hilston.

Prevendo que àquela hora os seus filhos estariam famélicos, Paula chegou a casa carregando cachorros quentes que foram devorados em cerca de instantes pelo trio. Sequentemente foram até a sala de estar onde se posicionaram para assistir a novela favorita deles, Avenida Brasil, que estava prestes a se iniciar.

Passada algumas horas, os três já estavam com os olhos semicerrados,o que indicava sono. Jorge e Paula direcionaram-se para os seus respectivos quartos, apenas Red sobrou, pois optou por ficar ali por mais alguns minutos à contemplar a belíssima vista que o céu noturno lhe proporcionara,à pensar nos acontecimentos do dia em questão.

Pela primeira vez desde que os ataques de bullying surgiram em sua vida, Red havia reunido forças para reagir. Mas tivera muita sorte, pois seu irmão se interviu na briga e por causa dele complicações maiores não ocorreram. Mas tudo valeu a pena, pois a vida ter-lhe voltado quando desferiu no seu arque rival, ele queria sentir aquela sensação novamente.
                                                     
 ...

O Sol estava dardejante naquela manhã de Fevereiro. Os raios violetas penetravam a fina vidraça da solitária janela do quarto de Red. O mesmo encontrava-se em um sono profundo, em seu leito, que logo foi interrompido por um barulho exasperante emitido pelo despertador -em forma de Snorlax - que ecoou pelo quarto. Este só cessou quando o garoto apertou o botão superior do objeto. Red olhou de relance para o horário, ainda sonolento, e deu um sobressalto ao descobrir que era demasiado tarde.

Ele se apressou e desceu as escadas passando pela sala ate chegar à cozinha. Olhou no calendário que ficava sob a geladeira e descobriu que era véspera da tão aguardada prova, ainda focado no calendário viu que abaixo dele havia uma folha de papel e a pegou. Era uma carta escrita por sua mãe que dizia:

Red,

Sei que hoje você está muito ocupado com os estudos, mas queria que fosse até o Mart para comprar alguns itens que estão faltando. Espero não incomodá-lo.
A lista de compras e o dinheiro estão anexados à carta.

Paula

Red ficou muito irritado. Era um dia importante e ia se dedicar inteiramente aos estudos, não queria ser atrapalhado, mas sabia que se não obedecesse iria desapontar sua mãe já que nada do seu irmão mais velho podia esperar. Agarrou a lista e subiu as escadas novamente, alguns minutos depois retornaram com outras vestes e saiu.

Não demorou muito para encontrar o Mart, pois ficava a alguns quarteirões da casa do garoto. Era uma grande propriedade, na entrada se encontrava um estacionamento lotado onde motoristas brigavam por uma vaga. Alguns carrinhos de compras estavam espalhados e de vez enquanto era possível ver algum funcionário recolhendo-os.

Seu logomarket era bem chamativo e trazia em sim a palavra: POKEMART. Abaixo se encontravam um par de portas elétricas que abriam e fechavam sem cessar cada sinal de movimento próximo a ele, e foi por ali que Red entrou. Já dentro, ele viu um grande trafego de pessoas e grandes prateleiras que continham diversos produtos diferenciados.


Red pegou um carrinho de compra e a lista e saiu à procura dos objetos. Enquanto procurava a localização das verduras viu de longe uma figura familiar. Era um idoso de pele enrugada, longo bigode grisalho e os olhos escondidos pelos óculos escuros. Trajava uma camisa de manga social vermelha sobreposta por uma jaqueta branca, o chapéu ,assim como nas vestes de cima, pintalgava entre vermelho e branco. Os trajes de baixo eram cores escuras, calças de linho marrom e sapatos de couro acinzentados. Seu nome era Blaine.


-Vovô!-gritou Red correndo em direção ao ancião - não esperava encontrar o senhor aqui.

-Red que susto você me deu- Blaine deu um abraço carinhoso em Red e depois começou a afagar os cabelos morenos do adolescente- Como está sua mãe e seu irmão?Faz muito tempo que vocês não me visitam.

-Eles estão bem-respondeu ele-a mãe está resolvendo algumas coisas no banco  e o Jorge deve ter saído com os colegas.

-Era de se esperar. E como está você, Red?-indagou o avô

-E-Eu estou bem!-respondeu-passei os últimos três meses estudando para prova do EKEM, estou confiante de que vou me sair bem.

-Red, meu neto, você reservou tempo para você mesmo?
Red ficou pensativo por um instante, mas não respondeu o questionamento. Blaine prosseguiu:

-Que tal uma charada?-sugeriu o velho Blaine, o qual era conhecido por suas charadas- Era uma vez um homem que possuía o mais valioso dos tesouros. 

Durante muitos anos, ladrões tentaram furtar-lo, mas foram frustrados. - Red estava com os olhos arregalados e bem atencioso a cada palavra-O homem falou, aos ladrões, que o tesouro jazia escondido em uma profundeza inalcançável e que era impossível roubar ou destruir, mas que eles poderiam adquirir-la. Você sabe que tesouro é este Red?

Red estava confuso, esta era uma das mais charadas mais difíceis, e a única que não estava conseguindo decifrar.

-Não -negou desapontado- essa é realmente bem formulada.

-É a amizade -revelou- o tesouro mais importante do homem é a amizade. 
Red você disponibiliza todo o seu tempo para estudos e o mundo virtual e nunca tem tempo para você mesmo ou para ter amigos.

-Mas você sabe o que aconteceu comigo!-vociferou o moreno, ignorando se o supermercado todo estivesse escutando- Eles me tiraram tudo!

-Eu sei- afirmou ele de forma jovial, não se importando com a alteração do moreno- mas isso não é motivo para você se isolar, ao contrário, você deve dar a volta por cima e ser feliz.

-Como?Como?-perguntava já fraco, chorava por saber que todo aquele tempo ele fora infeliz e não fizera nada para mudar isto. Lembrou do dia anterior quando superou o seu medo e se sentiu aliviado. O avô não respondeu. Red já sabia a resposta.

Sem pensar uma segunda vez, avô e neto saíram às pressas do supermercado deixando todas as compras para trás. Enquanto corriam, tiveram que parar algumas vezes, pois o velho Blaine estava enfadado, mas em cerca de quinze minutos pararam de frente a uma simplória casa, a residência dos Newhouse.

Red retirou a chave do bolso, com a mão tremula por conta da euforia, e abriu a porta. A primeira vista do garoto foi sua mãe acomodada no sofá, provavelmente havia acabado de chegar a casa. A mesma ficou perplexa ao ver o pai, pois este geralmente não fazia visitas, já que o ginásio tomava-lhe todo o tempo.

-Papai?Você aqui?-perguntou incrédula- Red,cadê as compras?E porque vocês estão suando?

Os dois demoraram certo tempo para responder. Estavam arfantes e encharcados de suor. Blaine precisou sentar-se e o moreno começou a responder as perguntas da mãe:

-Encontrei o vovô no supermercado e nós viemos correndo. As compras... eu me esqueci completamente delas.

-E pra que diabos vocês vieram correndo?Se você não percebeu, mocinho, seu avô é um homem de idade.

-Mãe eu quero sair em uma jornada pokemon!

-O que?Eu pensei que você ia ser medico- os olhos de Paula saltavam de sua face, era muita informação para pouco tempo de absorção. O pai em uma visita repentina e o filho com uma idéia totalmente contraria ao que tinha horas antes. -Papai, o senhor tem alguma coisa haver com essa história?

-Não brigue com o vovô!-implorou o jovem- ele me ajudou a ver a realidade que eu não enxergava.

-Que realidade?Não me venha com esta história. Não tem cabimento um menino que tem uma carreira brilhante querer sair em uma jornada Pokémon para trouxas. Não deixarei este absurdo acontecer.

-Paula, sempre pensando de forma tão ignorante. Filha, não é a carreira que ele pode ou não levar que está em jogo e sim à infância e felicidade dele. Do que adianta o meu neto ser um renomado profissional e ser infeliz?

-Papai eu lhe conheço bem. O senhor está tentando induzir o meu filho a fazer o que o senhor não fez. Desculpe-me, mas o senhor não vai conseguir-bradou ela.

-MAMÃE!- berrou Red, tendo todas as atenções para ele- todos esses anos eu quis me esconder da realidade, e por causa disso eu perdi um tempo precioso da minha vida e agora eu posso recuperá-los. Desde que completei dez anos o vovô sugeri que eu faça uma jornada Pokémon, eu achava desnecessário, mas só agora vejo o quão importante ela significa.

A sra.NewHouse lacrimejou, com feição desgostosa.

-Mas..mas..mas-babulciava ela.O silencio prevaleceu por alguns minutos até se quebradou por Paula-Red, eu sempre quis que você fosse “alguém na vida”, mas se isso é essencial para o seu bem estar, eu não tenho o que fazer.

Red abraçou calorosamente a mãe, em forma de consolo, e esboçou um grande sorriso como quiser-se dizer: Não se preocupe, eu ficarei bem.Red subiu para o quarto em seguida, deixando pai e filha a sós.Pegou uma mochila no velho guarda-roupa e depositou algumas vestes e itens que necessitaria.

Despiu-se e colocou um traje que não era de muito uso. Uma blusa de manga preta sobreposta por uma jaqueta, vermelho mesclada com branco, calça de veludo turquesa, um par de sapatos bicolor, vermelho e preto, e por ultimo um boné, vermelho e branco, para encobrir os cabelos rebeldes.



Desceu as escadas com pressa. Chegando à sala, Blaine e Paula estavam de pé aguardando-o. ”Vamos!”, disse Paula e o trio saiu de casa se dirigindo a parte sudoeste da ilha. A parte sudoeste em especial era a mais bonita de toda a ilha. O contraste do barulho das ondas com a brisa era mágico. A areia branca sujava os pés dos banhistas, mas dava a sensação de estar pisando nas nuvens. Algumas embarcações poluíam a vista, em sua maioria levavam grandes caixotes ou tripulação, afugentando assim os pokemons que ficavam a beira mar.

O trio se aproximou de uma pequena embarcação onde um homem baixo e gordo fazia a recepção. Compraram uma passagem para Pallet Town que sairia em cerca de quinze minutos. Após checar todos os seus pertences, se precavendo caso algo houvesse sido esquecido, Red subiu na frágil ponte improvisada que levava ao barco, ao qual se encontrava lotado.



-Tchau, gente!Logo estarei de volta. Despeçam-se do Jorge por mim!-Red estava relutando para não chorar, esboçando um sorriso forçado, e acenando. 
Paula não se sustentava e desabava em lagrimas nos ombros do pai que devolvia o aceno para Red.

Red deu as costas a Blaine e Paula. Uma brisa refrescante chocou contra ao novo viajante, ele se sentiu renovado, aquele era um novo começo.


                                   






PRÓXIMO CAPITULO


5 comentários:

  1. Oi, Gabriel. Olha eu aqui de novo kkk. Sério, sua fic está conseguindo me prender... Já tinha lido esse capítulo antes, mas resolvi ler de novo apenas para não esquecer detalhes sobre o que comentar kkk.

    Vamos se dizer que, até os capítulos que li, esse foi o mais fraquinho, mais fraco que o próprio prólogo. Mas mesmo assim não deixa de estar ótimo! Adoro seu modo de escrita, o jeito de como você usa as palavras e, acho que não percebi palavras repetidas em um mesmo parágrafo durante o capítulo. Continue assim, Gabriel, e conseguirá cada vez mais, novos leitores :)

    Acho que esse capítulo mostrou mais o jeito de como o Red está se recuperando de todo o Bullying que sofreu, né? E sabe, adorei o Blaine :) E pelo jeito ele apareceu no capítulo para abrir os olhos de Red, mostrando que ele pode ser feliz, e como isso se resolve? Jornada Pokémon! Um novo tipo de "Hakuna Matata" kkkk. Não posso me esquecer que não parei de rir com o "Avenida Brasil" kkkkkk. Mas ficou demais! Assim que eu chegar do colégio vou ler o capítulo 3 que não tinha lido ainda (e pelo jeito parece que vai ter piratas...). Beijos, Gabriel.

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  2. Ola Rafinha!Desculpa por não ter respondido seu comentário anteriormente, é que só tive tempo de dar uma olhada agora.

    Estou acanhado com tantos elogios, e feliz por apreciar meu trabalho.Sim este foi o capitulo mais fraco(até o 3.5) pelo fato de ele unicamente ter o objetivo de introduzir o Red nesta jornada.

    O Blaine, como muitos ja devem ter notado, será uma ponte entre Kanto e Hooen.Pois os protagonistas destas respectivas regiões são netos desta lenda, e consequentemente primos.Aqui em Kanto ele vai ter grande participação no final desta aventura.

    É isso ai rapaz, vou ficando por aqui.

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  3. Ei Gabriel! Tudo beleza? Capaz de nem se lembrar mais de quem sou, visto que eu sumi das fics que eu acompanhava. Tava "naquelas épocas" de novo, hehehe. Mas vamos ao que interessa!

    Quando eu vi o bilhete que a Paula deixou pro Red ali, eu logo fiquei desconfiado. Imaginei que ele fosse se encontrar com aqueles marrentos de novo! Mas no fim das contas foi o bom e velho Blaine. É cara, ele pode ser diferente em cada fanfic, mas uma coisa que ele jamais deverá perder é o seu apreço por boas charadas! Essa é a marca dele, e devo dizer que ele é um Líder que eu gosto bastante, bem como Cinnabar em si.

    Imaginei que a Paula fosse relutar bem mais quanto à ida do Red para Pallet, mas até que ela não demorou muito para ceder. Afinal, depois de tudo que o Red passou, ele certamente não mudaria assim de ideia do nada. Não seria como uma hipnose. Ele realmente estaria certo de quando quisesse seguir um novo caminho, e foi isso que aconteceu.

    Agora veremos como ele estará em seu caminho para Pallet. Sei que estou um pouco atrasado, mas não é nada que eu não consiga colocar em dia.

    Nos vemos em breve cara. Continue com o bom trabalho! õ7

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  4. Aqui estou eu para comentar mais um . Eu gostei bastante desse capitulo, dar continuidade a história de maneira calma é tão importante quanto fazer capítulos com batalha, chega até a ser mais difícil. A história está fluindo naturalmente e de maneira agradável e isso é muito bom.
    Blaine é um dos meus Líderes preferidos. Primeiro por ter como tipo principal meus amados pokémons do tipo fogo *.*, segundo por sua excentricidade, o jeito divertido e o amor por piadas. Terceiro por ser um velhinho foda com pokémons incríveis. Quando joguei Pokémon Leaf Green pela primeira vez, lembro de tive dificuldades em derrotá-lo. Ele é realmente muito bom.
    Achei que a Paula fez drama o suficiente, típico do que toda mãe faria e até cedeu fácil. Deve ter percebido a determinação nos olhos e palavras do Red quando ele tentou convencê-la.
    Se fosse o Jorge eu dava um golpe ninja da cabeça desse moleque. Como sai assim sem se despedir do povo? Eu sei que a empolgação é muita mas é o irmão dele néh? Se bem que para uma jornada pokémon... Tudo bem Red, você está perdoado rsrs
    Abraços Gabs!
    Até a próxima!

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  5. Olá, tudo bem?

    Não importa se este capítulo foi um pouquinho mais fraco ou curto que os outros, é essencial para a continuação da história... é a evolução de Red em relação ao bullying!

    Vou continuar a ler, see ya!

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